Ostrava, 13 de Fevereiro de 2007
Caros amigos,
Terça-feira, sétimo dia de viagem. Após ter acordado e acessado a internet, apreciei um típico prato da República Tcheca denominado Svíčková-Sirloin, feito por Jurcik. (?). Na TV, um noticiário esportivo narrava a transferência de Ronaldo para o futebol italiano.
À tarde, a minha atenciosa família hospedeira me levou a um “city-tour” pela cidade de Ostrava, especialmente pelas vias adjacentes aos antigos edifícios soviéticos. Mais uma vez, deparei-me com memoráveis construções residenciais horizontalizadas, pardas e sombrias. Pensei com os meus botões: “mas por quê os comunistas tinham, nesses aspectos, tanto mau gosto?”. Felizmente, após a abertura do país, as famílias locais vêm dando uma nova configuração à paisagem urbana, revitalizando os seus prédios com enérgicas cores. Ostrava, dizem os seus habitantes, tem estado cada vez mais atraente, muito embora tenha eu as minhas dúvidas se o capitalismo é verdadeiramente um conto de fados, digo, fadas.
Pela janela do carro, registrei, com vídeos e fotos, toda a trajetória. Observei várias famílias pelas calçadas, em uma tranqüila tarde de terça-feira. Presenciei, ainda, inúmeras carboníferas edificadas no início do século XX, bem como a acentuada “capitalização” do país. Placas publicitárias e automóveis alemães, americanos, asiáticos e franceses não deixam dúvidas sobre os novos rumos da República Tcheca, apesar de um pequeno, velho e interessante carro soviético avistado remanesça no novo milênio.
No final da tarde, fomos à prefeitura de Ostrava. No alto de sua torre, uma magnífica vista panorâmica foi por mim apreciada “under a beaultiful Monet-like sky”. Pude observar, visualizando a fumaça expelida pelas chaminés das indústrias, a intensa atividade fabril da cidade. Nádia, rindo e brincando, disse-me existir vulcões na região, apontando para uma das fábricas. Claro, respondi com um “ah, não me venha com essa!”. Na sala de informações turísticas da prefeitura, um grande mapa-mundi se estende em uma das paredes. Nele, as inúmeras pequenas bandeiras nacionais fincadas em cada cidade de cada país revelam a proveniência dos turistas que a visitaram. Conforme constatei, havia bandeiras brasileiras indicando turistas cariocas e gaúchos. Naquele momento, percebi que, às vezes, 1 em 3 milhões faz enorme diferença. Assim, finquei, orgulhosamente, uma bandeira no ponto indicativo da cidade de Belo Horizonte. Sim, o primeiro belo-horizontino e o primeiro mineiro a visitar a longínqua e inesquecível Ostrava.
Após termos ido à prefeitura, rumamos em direção à residência do “patrão” de Jurcik, localizada em uma remota e bucólica área da cidade. Jurcik trabalha como transportador de mercadorias vindas dos Países Baixos e, de 15 em 15 dias, parte em direção ao oeste, guiando a sua enorme carreta, um dos meios de subsistência da família. Eu, Alesek e Nádia aguardamos no carro, enquanto Jurcik recebia informações e documentos para a sua próxima viagem rumo à Holanda. Amigavelmente, seu chefe veio me conhecer e, apertando uma de minhas mãos, referiu-se, com entusiasmo, ao futebol brasileiro.
À noite, comemorei, juntamente com Alesek e Dennis, a minha passagem pela República Tcheca, embora hoje tenha sido o último dia no país. Fomos a uma tradicional região noturna da cidade, ainda que terças-feiras não possibilitem ruas e “pubs” movimentados por jovens e freqüentadores da vida boêmia da região. Sim, aqui é a Morávia, uma das duas partes nas quais se divide o país, mas não é preciso estar em Praga ou em outra cidade qualquer da Boêmia para desfrutar o que a noite tem de melhor.
Em um aconchegante bar, desafiei os meus amigos a beber e a experimentar, na medida do possível, todas os choops ofertados, afinal encontro-me na Europa Central e tudo é motivo de festa. Curiosamente, a cerveja tipo Pilsner foi criada e desenvolvida na cidade denominada Pilsen, localizada ao sul de Praga. Logo, antes de nos referirmos aos alemães e à Bavária como fontes de toda “bebedeira”, devemos nos direcionar à República Tcheca. Ademais, é da cidade Ceské Budejovice que a célebre cerveja Budweiser Budvar provém, apesar de a americana Budweiser levar a fama. Durante toda a noite, conversamos e, indubitavelmente, decidi retornar, em Julho, ao país. No toca-discos, selecionei inúmeras músicas latinas, “apimentando” o recaído e vazio “pub”.
Após nos divertirmos, rumamos em direção às nossas residências. Despedi-me de Dennis, convicto da nova amizade que fiz. Hoje é a minha última noite em Ostrava. Amanhã, rumo em direção a Viena, capital da Áustria.



Escrito por André Oliveira às 18h28
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